(Dimitri Matoszko é o diretor do Itamambuca
Eco Resort, velejador e premiado fotógrafo
de natureza.)
Amigos,
Verão bombando, trabalho a mil. Mas a
natureza não está nem aí com a alta
temporada de verão. Ainda bem.
Não tive como evitar mais um "Parem as
máquinas!". A história é longa e repleta de
coincidências. Vou tentar ser breve
e deixar o relato completo para outro
momento.
Quatro anos atrás, fotografei um periquito
desbussolado que invadiu o escritório do
Itamambuca Eco Resort. Depois de um bom
tempo de pesquisa, descobrimos através do
ornitólogo Vítor Piacentini que a
atrapalhada ave era o super raro,
desconhecido e ameaçado
Apuim-de-costas-pretas (Touit melanonotus).
Pela suprema magia da natureza, aquela foto
do periquito pousado sobre um monitor de
computador era a primeira foto do
bicho vivo. Pode? Uma ave descrita em 1820
só foi fotografada no final de 2006 em cima
de um computador... Após esse acontecimento,
mais para inacreditável, não teve jeito,
criamos o Projeto Aves do Itamambuca
Eco Resort.
Depois de milhares de cliques, encontros
espetaculares, novos amigos e inúmeras
alegrias, eu continuava sem uma foto do
Apuim na natureza. Quatro anos buscando
informações, vendo os bichos em voo,
escutando-os passar, vários desencontros,
até que na semana passada recebi um
e-mail do Carlos Rizzo: "Fotografei o Touit
numa fruteira."
Gelei. Chamar esse bicho de raro é pouco,
ele é tão misterioso que é classificado
como super ameaçado só porque ninguém nunca
o vê. Já se passaram 190 anos e praticamente
não existem informações sobre a espécie. A
simples confirmação da fruta que ele come já
é um motivo de enorme comemoração no
universo ornitológico. Das 85 espécies de
papagaios e periquitos que existem no
Brasil, esta é a mais desconhecida e
misteriosa.
A mensagem recebida apresentava uma
oportunidade única, que não podia ser
desperdiçada. Enquanto lia a mensagem, o
renomado fotógrafo de aves, Edson Endrigo,
fechava a conta de sua hospedagem conosco.
Aceitou no mesmo instante o convite para
tentarmos fotografar o periquito. Fomos por
dois dias consecutivos ao local. Até vimos
um bando de Apuins voando. Muito promissor.
Mas não rolou nenhum encontro fotográfico.
A esperança reacendeu no último domingo com
um telefonema: "Os Apuins estão fruteira."
Que ironia. Eu em São José dos Campos e os
bichos comendo frutas na praia. Decidimos
fazer um novo esforço com
reforço. Excetuando este empolgado escriba,
só tinha fera, Edson Endrigo (fotógrafo
profissional de aves com uma dezena de
livros publicados), Luis Fábio Silveira
(professor doutor de zoologia na USP) e
Guto Carvalho (o genial criador do Avistar).